Espaço Espelho D’ Água, Lisboa
Architecture and consultant: Victor Vicente
Interior architecture: DC.AD, Duarte Caldas
Program: Restaurant and Art Gallery
Location: Lisbon, Portugal
Client: LSPL, Lda. / Mário Almeida
Architecture Team:
Sandra Dias (drawings and construction documents)
Tiago Pereira (contract administration and record drawings)
Completion: September 2014
Consultants: Pedrita Studio / Vertical Gardens
Contractor:: Tulipa Real
Photography: Francisco Nogueira
www.espacoespelhodeagua.com
archilovers

Exposição do Mundo Português

In 1940, Portugal commemorated the tercentenary of the restoration of its Independence and the 800th anniversary of its birth with a programme of events culminating in the Exhibition of the Portuguese World. Staged in Belém and centred on the specially created Praça do Império (Empire Square), the exhibition aimed to promote the most notable events and achievements of the nation’s past. The square was in a place already bordered by landmarks alluding to the Era of Discoveries, including the Monastery of Jerónimos, Afonso de Albuquerque Square, the Tower of Belém and the river Tagus.

 

Em 1940 decorreram em Portugal as comemorações dos centenários da Independência de Portugal e da sua Restauração. Do programa sobressai a Exposição do Mundo Português, determinada a promover os momentos mais notáveis do passado da nação. O certame realizou-se em Belém, em torno da então criada Praça do Império e delimitado por elementos alusivos aos Descobrimentos, como o Mosteiro dos Jerónimos, a Praça Afonso de Albuquerque, a Torre de Belém e o rio Tejo.

Capa e interior do guia oficial

“Belém foi o local estabelecido para a implantação do certame, organizado em torno da então criada Praça do Império. Escolha intencional, que validava o discurso historicista da Exposição do Mundo Português, ancorado exclusivamente em momentos notáveis do passado da nação, porquanto a delimitava por elementos alusivos aos Descobrimentos – Mosteiro dos Jerónimos, rio Tejo, Praça Afonso de Albuquerque e Torre de Belém.”*

* BELÉM E A EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS: CIDADE, URBANIDADE E PATRIMÓNIO URBANO
VOLUME I Pedro Alexandre de Barros Rito Nunes Nobre

“A EMP ocupava uma área total de 442.000m2 14 e organizava-se em torno da Praça do Império, o seu centro espacial e simbólico. Esta praça era ladeada, a Nascente e a Poente, respectivamente pelo Pavilhão de Honra e Lisboa (Cristino da Silva) e pelo Pavilhão dos Portugueses no Mundo (Cottinelli Telmo); a Sul estavam o Padrão das Descobertas, a Nau Portugal e o Restaurante do Espelho de Água. A área mais a Nascente do recinto era composta pela Secção Histórica (Pavilhões da Fundação, da Formação e Conquista, da Independência e dos Descobrimentos), pelos Pavilhões do Brasil e da Colonização, pela Casa de Santo António e pelo Bairro Comercial e Industrial; no extremo oposto estava o Centro Regional (Aldeias Portuguesas, Pavilhões da Vida Popular, Jardim dos Poetas e Parque Infantil). Constavam ainda do certame uma Secção Colonial e um Parque de Atracções, respectivamente a Nordeste e a Noroeste do Mosteiro dos Jerónimos.”*

Capa e contracapa de folheto da exposição

 

The Espelho de Água was built to serve as the restaurant/beer hall for the event, with design by António Lino, executed under the guidance of Cottinelli Telmo, lead architect for the exhibition. Its modernist style was subject to later alterations that detracted from its original dimensions both inside and out.
The building is flanked by a large water feature that reaches out to the river to create a sensation of floating. The overall structure follows a rigorous metric that shares its proportions with large sculptures that lead to the entrance.
The building was originally composed of two separate areas set apart and united by a third that served as an entrance. This was demolished after the exhibition and replaced by a construction of ephemeral character, with roofing supported by metallic trusses covered by zinc sheeting.
The intervention now undertaken seeks to restore the building to its original characteristics at the time of the closing of the exhibition in 1940, before the site underwent major changes. Visually polluting features have been removed, a non-original structure to the south has been demolished and the overall framework restored. The opening up of a large skylight in the centre of the space alludes to the open-air patio that once separated the original main structures.
The installation of a cafeteria and restaurant on the ground floor, linked to the terrace , led to the discovery of a mural by the artist Sol Lewitt, dated 1990, which was fully restored. The centrally located kitchen is flanked by walls covered by vertical gardens.
To the north, there is a quieter leisure area with views towards the Belém Cultural Centre and the Monastery of Jerónimos, as well as a shop and mezzanine. From here can also be seen the stairs leading up to the first-floor office area. To the west, in the main entrance zone, an open space serves as an art gallery and music venue.
The interior reveals the structure of the building, giving an idea of the different areas that compose it. Finishings are minimal, with concrete flooring and white surfaces. Lines of lighting work to emphasise the interior drama of the space, while circular lamps on the north and the south facades are a final touch to emphasise links with the original 1940 project.

Pensado para funcionar como restaurante/cervejaria do evento, foi construído o Espelho de Água, com projecto de António Lino e desenvolvido sob a orientação de Cottinelli Telmo, arquitecto chefe responsável do certame. Património modernista, foi alterado por sucessivas intervenções que o foram descaracterizando, tanto no exterior como no interior. O edifício é rodeado por um enorme espelho de água que o leva ao encontro do rio e oferece a sensação de se flutuar sobre a água. A implantação dos volumes e marcação dos vãos seguem uma métrica rigorosa que se reflecte também no desenho de um elemento escultórico de alvenaria construído na entrada.
Originalmente composto por dois corpos, afastados entre si e unidos por um volume central – a entrada – ladeado por dois corpos menores, o edifício dispunha ainda de um elemento solto que foi demolido após a exposição, sendo construído um novo corpo, ao encontro da linguagem do projecto inicial. A primeira construção, de carácter efémero, com coberturas suportadas em asnas metálicas e revestimento a chapa de zinco, deu lugar a uma estrutura definitiva.
A intervenção agora realizada pretendeu devolver ao edifício as características originais dessa estrutura definitiva. Foram removidos os elementos visualmente poluidores, reposta a métrica das caixilharias e demolido um corpo descaracterizante a sul. A abertura de uma grande clarabóia no centro do espaço é a memória do pátio que separava os volumes originais, permitindo agora a entrada de luz.
O programa previa a instalação de um espaço de cafetaria e de um restaurante no piso térreo, em comunicação com a esplanada. Na parede nascente desse espaço foi descoberto um mural do artista Sol Lewitt, de 1990, que foi inteiramente restaurado.
Ao centro, a cozinha, um volume solto no espaço, apresenta-se agora revestida por um jardim vertical. A norte existe uma zona de estar, mais reservada, com vista para o Centro Cultural de Belém e Mosteiro dos Jerónimos, uma loja e um mezanino. Nesta zona encontra-se também a escada de acesso ao primeiro piso, uma área de escritórios. A poente, na entrada principal, existe um espaço aberto que funciona como galeria de arte e performances musicais.
Com a intervenção, revelou-se a estrutura interior do edifício, dando a noção dos diversos volumes que o compõem. Os acabamentos seguem uma lógica de contenção, com pavimentos em betão e tratamento das restantes superfícies a branco. A iluminação acentua as volumetrias existentes através de sistemas lineares de luz. Foram reproduzidos candeeiros circulares das fachadas norte e sul de acordo com o projecto original.

Building photos before project

Project 3D`s

New image photos

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